"Ruído é qualquer som que interfere. É o destruidor do que queremos ouvir.
Schopenhauer disse que a sensibilidade do homem para a música varia inversamente de acordo com a quantidade de ruído com a qual é capaz de conviver. Ele quis dizer que, quanto mais selecionamos os sons para ouvir, mais somos progressivamente perturbados pelos sinais sonoros que interferem (por exemplo, o comportamento de um auditório barulhento num concerto).
Para os insensíveis, o conceito de ruído não é válido. Alguém que dorme como uma pedra não ouve nada. A máquina é indiferente ao ruído porque não tem ouvidos. Explorando essa indiferença, a música de fundo foi inventada para homens sem ouvidos.
Por outro lado, para alguém verdadeiramente emocionado com uma música, mesmo os aplausos podem se constituir numa interferência. (...)
Para o homem sensível aos sons, o mundo está repleto de ruídos.
Vocês sabem o que eles dizem sobre o silêncio."
(Murray Schafer, em "O ouvido pensante", Editora Unesp, 1991)
Homens-máquina correndo em esteiras rolantes embalados por uma música de fundo.
Mulheres-máquina andando pelos shoppings e supermercados, anestesiadas pela música de fundo.
(it reminds me:
And everywhere I go,
There's always something to remind me
Of another place and time
Where love that travelled far had found me.)
Como seria se a música de fundo do mundo parasse?
Teríamos salas de concerto, cinemas e teatros mais silenciosos?
Teríamos pessoas mais presentes no momento presente?
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