sábado, janeiro 10, 2009

Nada Brahma



Ooommmmmmmmmmmmm: o primeiro som. No princípio era o verbo. No princípio era o som. Som, matéria em movimento captado pelos ouvidos. "Nada Brahma" é uma antiga proposição hindu de que "o mundo é som". (em sânscrito: Nada = som, Brahma = o Todo, a Unidade, o Universo). O ritmo da natureza, ciclos de criação e destruição, atividade e inatividade, vida morte vida.

Estou iniciando meus estudos sobre o som. Talvez ainda leve um tempo pra conseguir realmente fechar os olhos e ouvir - afinal são muitos séculos de turbilhões de imagens, outdoors, beauty magazines, televisão. Mas aos poucos eu vou perdendo a timidez e podendo escrever mais.

Por enquanto fica aqui um trechinho do prefácio de Fritjof Capra para o livro Nada Brahma, do Joachim Berendt:

"(...)o padrão universal dinâmico não consiste somente em vibração. A palavra é som, portanto isso significa que ele vibra em proporções harmônicas. O autor nos chama a atenção para o fato de que o universo opta com visível predileção - dentre os bilhões de vibrações possíveis - por aquelas poucas mil que têm um sentido harmônico, o que nos leva a questionar: por que o mundo é tão harmonioso? Uma resposta surpreendente a essa excitante questão foi proposta por uma teoria recente sobre os sistemas vivos. Segundo essa teoria, nós não percebemos um mundo que existe de forma independente; para sermos mais precisos, nós o criamos com os nossos processos de percepção e cognição. Em organismos vivos diversos, como plantas, animais e seres humanos, esses processos diferem pois dispõem de órgãos de percepção diferentes, o que os leva à criação de mundos próprios. Desse ponto de vista, o fato de só observarmos as vibrações harmônicas do universo não deve nos surpreender. É natural que, se os nossos órgãos dos sentidos são harmônicos, o mundo que eles criaram só poderá ter um "sentido harmônico".

Para o autor, a compreensão de que o mundo é som tem implicações profundas não só para a ciência e a filosofia, mas também para a nossa vida cotidiana e a sociedade. Ele argumenta que há alguns séculos a nossa cultura ocidental vem dando ênfase exagerada à visão, em detrimento da audição. Portanto, a nossa atual mudança de paradigma inclui, segundo Berendt, uma modificação essencial dessa ênfase, da visão para a audição. Com exemplos impressionantes, ele mostra que essa modificação de 'olhos' para 'ouvidos' coincide com a mudança de valores masculinos para os femininos, que tantas vezes tem sido associada à nossa transformação cultural - ou seja, da análise para a síntese, do conhecimento racional para a sabedoria intuituva, do domínio e da agressividade para a não-violência e a paz."

2 comentários:

Anônimo disse...

estoy impresionado, que loco, lo mejor es que ahora puedo llamarte de "música" (cientificamente comprovado)♫lalalalalalalaus♫4..hz.

Ricardo disse...

Muito bacana! Existe uma meditação que a gente sintoniza com o som sem som. Aquele som "de base" que está por detrás (e permeia) de toda criação. Do manifesto e do não-manifesto. Aquele "vvvvvv...". É interessante praticá-la. É definido também como o negativo (em termos fotográficos) do som, assim como existe o da imagem.
Para mim, a voz do Ser!
Namastê,
Ricardo