sexta-feira, maio 22, 2009

...e quem não quer?



Zé Rodrix nos deixou na madrugada de ontem, 22 de maio.
Deixo aqui esse maravilhoso rock rural, composto por ele, que brilhou na voz de Elis Regina, e que permanecerá por muito tempo fazendo parte dos sonhos de muita gente.

quarta-feira, maio 20, 2009

música insuportátil


nunca na história da humanidade o ato de ouvir música foi tão banal. hoje, praticamente toda música é portátil: dos clássicos e eruditos ao rock, dos batuques ancestrais aos eletrônicos, tudo cabe no iPod. e os técnicos de som ou os audiófiolos, com seus ouvidos delicados*, podem falar o que quiserem sobre a terrível perda de qualidade que tivemos com o advento do MP3, mas o fato é que a grande maioria das pessoas não vai nunca lamentar os harmônicos perdidos ou o desaparecimento de algumas frequências que praticamente só os seus cachorros ouviam.

estão todos muito bem, cada um mergulhado dentro do seu próprio fone de ouvido, ouvindo o que bem entender. e a possibilidade de escolha é gigantesca - até monstruosa, eu diria. basta um click pra se ter acesso a música de todos os gêneros, lugares, estilos e tempos que se possa imaginar. e assim, os ouvintes ficam cada vez mais exigentes: queremos a música perfeita para os nossos ouvidos, que fale com precisão sobre nossos sentimentos, ou então é só apertar o "next", baixar outro CD ou mudar de estação e pronto. não sei... mas parece que quanto mais opções temos, mais fechados ficamos à experimentação de coisas novas, 'estranhas', diferentes daquilo que estamos acostumados.

tudo isso comecei a pensar depois de assistir a um show de jazz experimental. era a Exploding Star Orchestra, fazendo juz ao nome, numa apresentação explosiva, brilhante, que explora os limites da audição, o limite do suportável. cada espaço do teatro é preenchido por sons, e outros sons que nasciam do encontro dos outros sons. três baterias, percussão, vibrafone, marimba, flautas, saxofones, trombone, baixo, guitarras, computadores e a corneta do Maestro Rob Mazurek violentam e acariciam o público. sonhos, pesadelos, paisagens inóspitas ou paradisíacas. assim como o espaço, todo o meu corpo foi invadido por frequências mágicas. mágica! e como se cada som fosse uma chave que abriu um lugar secreto, na última música comecei a sentir dores no maxilar, pontadas no estômago, e se a música não acabasse naquele momento e naquele acorde preciso e consolador, talvez eu tivesse ido pra algum lugar perdido, fora do corpo, ou fora do tempo.

entendo que para muitos isso possa ser insuportável. a uma certa altura, algumas pessoas começam a se levantar - algumas meio tímidas, outras iradas - e vão embora. entendo, porque penso que esse não seria um tipo de música que eu colocaria pra tocar no meu iPod enquanto vou pro trabalho ou pego a estrada. não é, pra mim, uma música portátil, que posso levar pra qualquer lugar e transformar em trilha sonora da minha vida. não, uma música assim exige que eu esteja presente e respirando, saboreando, vendo e tateando o som. para chegar ao final do espetáculo, a pessoa precisa se entregar e estar atenta ao presente - coisa que faz muita falta nesse mundo que não pára de correr pro futuro pra superar o passado.

por isso, entendo quem não gosta de jazz experimetal. eles não têm tempo pra ouvir. ou sentem que ali não tem sentimento, ou que a música não corresponde às suas próprias emoções. música estranha, que parece não 'falar sobre' nada, às vezes triste, quase sempre barulhenta, e ao mesmo tempo tão alegre que parece se perder em caos. enfim, não sei bem quais são as razões, e por enquanto me conformo com a máxima "gosto não se discute"(apenas, muitas vezes, se lamenta). mesmo assim, espero que todos possam um dia experimentar uma hora de imersão nesse universo mágico, matemático e sinestésico que é constantemente criado e modificado e renovado e improvisado por essas entidades monstruosas que são os músicos de jazz.

E como já não sei mais exatamente o que estou fazendo aqui, deixo mais uma vez a palavra com Clarice Lispector:

"(...)Sei o que estou fazendo aqui: conto os instantes que pingam e são grossos de sangue.

Sei o que estou fazendo aqui: estou improvisando. Mas que mal tem isto? improviso como no jazz improvisam música, jazz em fúria, improviso diante da platéia.
(...)
O que diz este jazz que é improviso? diz braços enovelados em pernas e as chamas subindo e eu passiva como uma carne que é devorada pelo adunco agudo de uma águia que interrompe seu vôo cego. Expresso a mim e a ti os meus desejos mais ocultos e consigo com as palavras uma orgíaca beleza confusa. Estremeço de prazer por entre a novidade de usar palavras que formam intenso matagal. Luto por conquistar mais profundamente a minha liberdade de sensações e pensamentos, sem nenhum sentido utilitário: sou sozinha, eu e minha liberdade. É tamanha a liberdade que pode escandalizar um primitivo mas sei que não te escandalizas com a plenitude que consigo e que é sem fronteiras perceptíveis. Esta minha capacidade de viver o que é redondo e amplo — cerco-me por plantas carnívoras e animais legendários, tudo banhado pela tosca e esquerda luz de um sexo mítico. Vou adiante de modo intuitivo e sem procurar uma idéia: sou orgânica. E não me indago sobre os meus motivos. Mergulho na quase dor de uma intensa alegria — e para me enfeitar nascem entre os meus cabelos folhas e ramagens."

terça-feira, maio 19, 2009

the hills are alive

sim, há esperança!

quinta-feira, maio 14, 2009

Divulgação - "Música no divã"


"O núcleo de Psicanálise e Ação Social – NuPas – é uma organização não governamental que presta serviços sociais, atendendo a diversas instituições que trabalham para a população submetida a vulnerabilidade social. Visa ao desenvolvimento humano, à melhoria da qualidade de vida e ao resgate da dignidade das pessoas atendidas."

Na próxima sexta-feira, 22/05, o NuPas convida para o show "Música no Divã", com o grupo de chorinho Chorando as Pitangas e convidados. No MUBE (Museu Brasileiro de Escultura), às 20:30.

quarta-feira, maio 06, 2009

coisas que (me) soam bem

- passos (ou pneu do carro) em terra coberta de pedrinhas
- uma mordida em um pão na chapa bem crocante
- risadas descontroladas de amigas na cozinha
- obviamente, o mar
- consequentemente, conchas
- ronronar dos gatos
- crepitar do fogo
- multidões cantando em uníssono pela paz
- o chiado do vinil entre uma música e outra
- som do teclado do meu laptop
- av. rebouças logo depois de uma vitória do corinthians
- som amplificado de um cigarro sendo aceso
- apagar vela com cuspe (haha)
- pedra jogada no lago
- etc
- etc
- etc

OBS: contribuições para aumentar a lista são muito bem vindas.