domingo, agosto 24, 2008

amor, loucura e rádio

(Os Amantes - René Magritte)



Aqui, uma versão um pouco mais elaborada da história que busca explicar as inexplicáveis questões: por que o amor é cego? por que amor e loucura andam juntos?

Encontrado no site da Radioteca, um portal de intercâmbio de produções radiofônicas construído coletivamente por emissoras, centros e redes da América Latina. A Radioteca funciona com o apoio da UNESCO. Estranhamente, parece que o projeto ainda não ganhou força no Brasil. Alguém se habilita??

*Paz*

sexta-feira, agosto 22, 2008

"as vezes o mundo é bom demais" ou "sobre como conheci ken lee"

Mayumi diz:
e aí, q c me conta?
rojo diz:
ói
rojo diz:
contá, contá mesmo eu não tenho muito não
rojo diz:
que c anda sumida?
rojo diz:
casou com homi feio?
Mayumi diz:
hahahaha
rojo diz:
hein?
Mayumi diz:
essa foi ótema
Mayumi diz:
não
Mayumi diz:
sei não
rojo diz:
rarara
Mayumi diz:
rsrs
rojo diz:
minina ta dificir
Mayumi diz:
ah, vc tb anda sumido
Mayumi diz:
nunca quer sair
rojo diz:
mintira
Mayumi diz:
verdade
Mayumi diz:
já te chamei pra tomar chops, ir no cinema, vc só quer ficar em casa ****** ******
Mayumi diz:
acho q precisamos discutir a relação
Mayumi diz:
; )
rojo diz:
DR a essas horas, laura?
rojo diz:
deixa eu ler meu livro
Mayumi diz:
tá vendo!
Mayumi diz:
por isso q essa relação não vai pra frente!
rojo diz:
o que mais você quer que eu faça, mulher? te dou do bom e do melhor, me mato de trabalhar...e domingo é dia de futeborrr
Mayumi diz:
sei! e o que sobra pra mim???
rojo diz:
o que mais você quer?
rojo diz:
eu não te reconheço mais laura regina
rojo diz:
cadê a mulher com quem eu me casei?
Mayumi diz:
quero tudo o que vc me prometeu diante do padre e do moço do cartório, fábio antônio!
rojo diz:
não era um padre, era o garçom e não era moço do cartório, era a maquina de caça-niquel. vc estava bêbada naquele dia
Mayumi diz:
sim, só assim pra ter me casado com um ingrato como você
rojo diz:
rarara
rojo diz:
adoro discutir a relação com vc, laura regina
rojo diz:
vem aqui dormir de conchinha
Mayumi diz:
hahahaha
rojo diz:
rarara
Mayumi diz:
aiai
Mayumi diz:
pronto, fechou a dr?
rojo diz:
fecho
Mayumi diz:
quem ganhou?
rojo diz:
vc já viu o ken lee?
Mayumi diz:
não, ken é?
Mayumi diz:
rsrs
rojo diz:
ken lee
rojo diz:
o video da doida no bulgarian idol, sei la
rojo diz:
ken leeeeeee...dudi dubudu dautchiu
Mayumi diz:
não, cade? no yutchúbi?
rojo diz:
procura ken lee no youtbe
rojo diz:
yep

Mayumi diz:
huehehehehehehehehehe
Mayumi diz:
very funny!
rojo diz:
fucking nuts
rojo diz:
bueno guapa
rojo diz:
vou nessa
rojo diz:
falamos
Mayumi diz:
ouquei
rojo diz:
besooos
Mayumi diz:
bjo

quinta-feira, agosto 21, 2008

terça-feira, agosto 19, 2008

Que seja doce!


("É doce morrer no mar" - de Dorival Caymmi, por Dori Caymmi)

Dorival Caymmi deixou a terra no último sábado, 16 de agosto, aos 94 anos.

Sob uma lua alucinadamente cheia, ele pegou sua jangada e foi, pra não mais voltar. Iemanjá e todas as sereias do mar recebem ele de braços abertos. E seu canto finalmente se mistura com o bater das ondas nas pedras, na areia, no ar....

Saravá!

(foto: Daniel, fotógrafo que conheci na Bahia e nunca mais vi...)

Nesta vida, em que sou meu sono,
Não sou meu dono,
Quem sou é quem me ignoro e vive
Através desta névoa que sou eu
Todas as vidas que eu outrora tive,
Numa só vida.
Mar sou; baixo marulho ao alto rujo,
Mas minha cor vem do meu alto céu,
E só me encontro quando de mim fujo
.

(...)
(Fernando Pessoa)

segunda-feira, agosto 18, 2008

pu quê?


(Jorge Ben Jor - Por que é proibido pisar na grama?)

ACORDEI com uma vontade
de saber como eu ia
E como ia meu mundo
Descobri que além de ser um anjo
eu tenho cinco inimigos
Preciso de uma casa para minha velhice
Porém preciso de dinheiro pra fazer investimentos
Preciso às vezes ser durão
Pois eu sou muito sentimental meu amor
Preciso falar com alguém
que precise de alguém pra falar também
Preciso mandar um cartão postal para o exterior
Para o meu amigo Big Johny
Preciso falar com aquela menina de rosa
pois preciso de inspiração
Preciso ver uma vitória do meu time
e se for possível vê-lo campeão!!
Preciso ter fé em Deus e me cuidar
e olhar minha família
Preciso de carinho
pois eu quero ser compreendido
Preciso saber que dia e hora ela passa por aqui
E se ela ainda gosta de mim
Preciso saber urgentemente
Porque é proibido pisar na grama???

quinta-feira, agosto 14, 2008

...sobre sons e assombros...

(trechos de Água Viva, de Clarice Lispector)

(...) Inicia-se um som de lado, como a flauta que sempre parece tocar de lado - inicia-se um som de lado que atravessa as ondas musicais sem tremor, e se repete tanto que termina por cavar com sua gota ininterrupta a rocha. É um som elevadíssimo e sem frisos. Um lamento alegre e pausado e agudo como o agudo não-estridente e doce de uma flauta. É a nota mais alta e feliz que uma vibração poderia dar. Nenhum homem da terra poderia ouvi-lo sem enlouquecer e começar a sorrir para sempre. Mas o homem de pé sobre o único pé - dorme reto. E o ser feminino estendido na praia não pensa. Um novo personagem atravessa a planície deserta e desaparece mancando. Ouve-se: psiu; psiu! E chama-se ninguém.

Acabou-se agora a cena que minha liberdade criou.
Estou triste. Um mal-estar que vem do êxtase não caber na vida dos dias. Ao êxtase devia se seguir o dormir para atenuar a sua vibração de cristal ecoante. O êxtase tem que ser esquecido.

(...)

E Deus é uma criação monstruosa. Eu tenho medo de Deus porque ele é total demais para o meu tamanho. E também tenho uma espécie de pudor em relação a Ele: há coisas minhas que nem Ele sabe. Medo? Conheço um ela que se apavora com borboletas como se estas fossem sobrenaturais. E a parte divina das borboletas é mesmo de dar terror. E conheço um ele que se arrepia todo de horror diante de flores - acha que as flores são assombradamente delicadas como um suspiro de ninguém no escuro.

Eu é que estou escutando o assobio no escuro. Eu que sou doente da condição humana. Eu me revolto: não quero mais ser gente. Quem? Quem tem misericórdia de nós que sabemos sobre a vida e a morte quando um animal que eu profundamente invejo - é inconsciente de sua condição? Quem tem piedade de nós? Somos uns abandonados? Uns entregues ao desespero? Não, tem que haver um consolo possível. Juro: tem que haver. Eu não tenho é coragem de dizer a verdade que nós sabemos. Há palavras proibidas. Mas eu denuncio. Denuncio nossa fraqueza, denuncio o horror alucinante de morrer - e respondo a toda essa infâmia com - exatamente isto que vai agora ficar escrito - e respondo a toda essa infâmia com alegria. Puríssima e levíssima alegria. A minha única salvação é a alegria. Uma alegria atonal dentro do it essencial. Não faz sentido? Pois tem que fazer. Porque é cruel demais saber que a vida é única e que não temos como garantia senão a fé em trevas - porque é cruel demais, então respondo com a pureza de uma alegria indomável. Recuso-me a ficar triste. Quem não tiver medo de ficar alegre e experimentar uma só vez sequer a alegria doida e profunda terá o melhor de nossa verdade. Eu estou - apesar de tudo oh apesar de tudo - estou sendo alegre neste instante-já que se passa se eu não fixá-lo com palavras. Estou sendo alegre neste mesmo instante porque me recuso a ser vencida: então eu amo. Como resposta. Amor impessoal, amor it, é alegria: mesmo o amor que não dá certo, mesmo o amor que termina. E a minha própria morte e a dos que amamos tem que ser alegre, não sei ainda como, mas tem que ser. Viver é isto: a alegria do it. E confortar-me não como vencida mas em um allegro com brio.

Aliás não quero morrer. Recuso-me contra "Deus". Vamos não morrer como desafio? Não vou morrer, ouviu, Deus? Não tenho coragem, ouviu? Porque é uma infâmia nascer para morrer não se sabe quando nem onde. Vou ficar muito alegre, ouviu? Como resposta, como insulto. Uma coisa eu garanto: nós não somos culpados. E preciso entender enquanto estou viva, ouviu? Porque depois será tarde demais.
Ah esse flash de instantes nunca termina. Meu canto do it nunca termina? Vou acabá-lo deliberadamente por um ato voluntário. Mas ele continua em improviso constante, criando sempre e sempre o presente que é futuro. Este improviso é.

Quer ver como continua? Esta noite - é difícil te explicar - esta noite sonhei que estava sonhando. Será que depois da morte é assim? o sonho de um sonho de um sonho? Sou herege. Não, não é verdade. Ou sou? Mas algo existe.

Ah viver é tão desconfortável. Tudo aperta: o corpo exige, o espírito não pára, viver parece ter sono e não poder dormir - viver é incômodo. Não se pode andar nu nem de corpo nem de espírito.

Eu não te disse que viver é apertado? Pois fui dormir e sonhei que te escrevia um largo majestoso e era mais verdade ainda do que te escrevo: era sem medo. Esqueci-me do que no sonho escrevi, tudo voltou para o nada, voltou para a Força do que Existe e que se chama às vezes Deus.

Tudo acaba mas o que te escrevo continua. O que é bom, muito bom. O melhor ainda não foi escrito. O melhor está nas entrelinhas. Hoje é sábado e é feito do mais puro ar, apenas ar. Falo-te como exercício profundo de mim. O que quero agora escrever? Quero alguma coisa tranqüila e sem modas. Alguma coisa como a lembrança de um monumento que parece mais alto porque é lembrança. Mas quero de passagem ter realmente tocado no monumento. Vou parar porque é sábado. Continua sábado. Aquilo que ainda vai ser depois - é agora. Agora é o domínio de agora. E enquanto dura a improvisão eu nasço.

E eis que depois de uma tarde de "quem sou eu" e de acordar à uma hora da madrugada ainda em desespero - eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente eu sou eu. e você é você. É vasto, vai durar.

O que te escrevo é um "isto". Não vai parar: continua.
Olha para mim e me ama. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo.
O que te escrevo continua e estou enfeitiçada.

...porém, com todo defeito, te carrego no meu peito!


(música "São São Paulo", vencedora do 4º Festival Record de MPB... bons tempos!)

tá boooom, tá bom. sei que eu tô exagerando nessa história de tom zé! mas é só mais uummm! olha só que pão ele era! e olha só que poeta phodástico ele é.

pronto, parei.
hehe.
:)

quarta-feira, agosto 13, 2008

milágrimas



Essas são as (algumas das) Orquídeas, parceiras do Itamar Assumpção, cantando essa música maravilhosa de autoria dele (que Deus o tenha!) e Alice Ruiz.
(mais umas 166 lágrimas, meu milagre sai!)
:)

Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre"

(Itamar Assumpção e Alice Ruiz)

terça-feira, agosto 12, 2008

Acostumbrarse es morir!

(mais um post no estilo "I have a dream")

"La Tribu é uma rádio alternativa.
Um relato coletivo que circula para discutir com outros. Uma rádio com consequências. Com testemunhos, declarações e diálogos. Uma rádio que conta a realidade para poder transforma-la.
La Tribu é um espaço de encontros. No qual um diálogo pode ser o princípio de uma ação coletiva. No qual nossa capacidade de agir pode mudar as regras.
La Tribu é o seu grito. Um grito que diz "não!" à reprodução planejada da injustiça e da desigualdade.
La Tribu é o seu ritmo. Sua dança de sons, de ruídos, de gestos, de marcas, de golpes. O ritmo próprio de mulheres e homens que constroem uma comunidade.
La Tribu é o seu sentido. Onde intercambiar não é vender, aprender não é submeter-se, produzir não é reproduzir e o prazer não é egoísmo.
La Tribu é a sua rede. Sua busca, seu encontro com outras 'Tribus'. A negação da auto-suficiência.
La Tribu é uma proposta: ocuparmos nosso presente para termos um futuro."

Conheça a FM La Tribu aqui.
Después, apagá La Tribu y hacé tu radio.

segunda-feira, agosto 11, 2008

sobre o rádio


"Nossa experiência e nossa vivência agora cobram de nós uma prática real e uma entrega transformadora. Que outros possam hoje compartilhar de nossas esperanças. Que nos cobrem, cada vez mais, um desafio e um compromisso. Vivemos num país colonizado e dependente. Estamos inseridos num esforço pela libertação. O rádio é uma arma. As palavras de Brecht voltam como um desafio/acusação: temos diante de nós um instrumento capaz de falar. É claro que sabemos que ele está nas mãos daqueles que, em benefício de sua classe, preferem-no como instrumento de silêncio ou de mentira. Mas saberemos ou não conquistá-lo e fazê-lo falar? Ou não teremos nada a dizer?"

(George Bernard Sperber, em "Introdução à peça radiofônica", 1980)

sábado, agosto 09, 2008

sem alma cruel cretino descarado filho-da-mãe!

CENA II do Segundo Ato - CENA DO PESADELO
"A escola do machismo é a casa ou a casa do machismo é a escola?"
De tanto pensar no livro de Maria Rita Kehl, o professor Bugorne, enquanto esperava o elenco para o ensaio, adormece no palco do Tuca, teatro da PUC, e tem um pesadelo conturbado em que Teresa lhe aparece como medéia, Ofélia e outras; e Maneco Tatit, como Jasão e outros personagens trágicos. No fim do sonho, uma Teresa-Medéia arma um barraco pra cima dele e de Tatit, xingando e acusando o amor burguês de mistificação."
(Tom Zé - Estudando o Pagode)



Adoro ver o Tom Zé falar! Dá até uma ponta de esperança nesse fim de domingo. (Recomendo também o vídeo em que ele fala sobre a Rita Lee - muito bom!)

Por um mundo com homens menos 'preguiçosos' (pra não dizer "covardes") e mulheres menos frustradas!

...finalmente sonhar...
felicidade sim, sonhar sonhar
o eterno amor sonhar
em termos ancestrais
não aquela eternidade de Vinicius de Morais
tristeza não, tristeza fim
tristeza bem longe de mim

sexta-feira, agosto 08, 2008

08/08/08

O Infinito de Pé - André Abujamra (2004)

aqui

:)

quarta-feira, agosto 06, 2008

Sobre o instrumento corpo



veja aqui

Grupo Corpo - trecho do espetáculo "O Corpo" - música Arnaldo Antunes - Mônica Salmaso nos vocais

PUTZ que vontade de dançar assim!

sexta-feira, agosto 01, 2008

o som da risada do thom



chora agora, ri depois.
:)